A CIDADE – POESIA

A noite festiva recebe o poeta.
A fome está dentro dele, e as mãos anseiam por escrever e ouvir as histórias dos caminhos que ainda há de percorrer. O poeta vem de longe, com uma mochila cheia de seus livros.

A poesia é uma casa de janela aberta, onde o olhar recebe o céu estrelado. Os livros querem chegar a boas mãos; o poeta deseja estabelecer vínculos, encontrar sorrisos de irmãos.

Mas a noite festiva na cidade-poesia feriu a esperança do poeta. Ele passou por cada esquina, e em cada uma delas houve um choro. Oferecia seus livros e só ouvia negativas. Não era falta de dinheiro — havia tantas cervejas nas mesas dos pequenos bares! As ruas pareciam doces, mas dentro do poeta só havia amargura.

Ali ele conheceu o outro lado da poesia: a poesia fora dos livros, que fala de uma falsa felicidade usada apenas para espantar os tempos sombrios.

O poeta não vendeu nenhum livro, mas ofereceu de graça o seu sorriso. Já na madrugada, cansado de sorrir sem receber acolhimento, foi dormir no banco da rodoviária. O frio era intenso e quase não o deixava pregar os olhos.

Naquele lugar onde a tristeza e a alegria se encontram, o poeta construiu sua estrada de pensamentos. Foi quando viu um homem que andava cambaleante, procurando um cigarro, com os olhos baixos para o chão. A inimizade do mundo o levara ao vício — ele acreditava que a fumaça levaria consigo a sua dor.

O poeta olhou fundo nos olhos daquele homem, e naquele instante, os dois se tornaram amigos. O poeta não tinha cigarro, mas tinha o que mais importava: tinha poesia. Deu-lhe um livro.

Ao ler aquelas palavras, o homem sentiu-se curado da ressaca. O mar de versos é como o mar cheio de peixes: fartura para quem tem fome de alma. Ele lavou sua alma com as letras e apertou forte a mão do poeta.

A poesia encontrou, naquele homem simples, o “sim” que tanto buscava. E o poeta, finalmente, recebeu o nome de Felicidade.

( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima )

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